Falecimentos e esquecimentos

Não há quem não pense que justiça lenta é justiça justa.

À distancia de 15 anos (ou mais) é possível criar suspeitas sobre tudo e sobre o seu contrário.

No chamado caso EDP as suspeitas, no que me respeita, não só são totalmente falsas como dizem respeito a factos relativos há mais de 15 anos.

Quando um processo se arrasta anos a fio há o risco de falecerem testemunhas verdadeiramente indispensáveis para o apuramento da verdade. Nomeadamente,

  • Mário Mosqueira do Amaral, membro do Conselho Superior do GES
  • Joaquim Pina Moura, Ministro das Finanças e da Economia quando teve lugar a venda da GALP à ENI e posteriormente presidente da Iberdrola em Portugal.
  • Álvaro Barreto, Ministro das Actividades Economicas quando foi celebrado e homologado o acordo de cessação dos CAE que, segundo a Comissão Europeia, justifica a não realização de um concurso para a extensão do domínio hídrico.
  • José Silva Lopes, a primeira pessoa junto de quem me aconselhei quando fui desafiado a colaborar com o PS
  • Jorge Coelho, que estabeleceu o contacto e acompanhou a minha aproximação ao PS e com quem tive várias conversas enquanto escrevia o livro
  • Clara Braga da Costa, minha ex-chefe de gabinete, que conhecia como ninguém a minha agenda após ter tomado posse como membro do governo
  • Nuno Monteiro, que indicou o meu nome para ensinar na universidade de Yale
  • Rui Trigo, um amigo com excelentes contactos que acompanhou de perto os meus primeiros tempos na Universidade de Columbia

Na CPI sobre as chamadas rendas excessivas verificou-se que os protagonistas das matérias mais importantes na extensão do domínio hidricco não se lembram de nada. Nomeadamente

  • António Castro Guerra, meu ex- Secretário de Estado, não se lembra de como foi o processo legislativo da extensão do domínio hídrico, que pediu 3 pareceres   jurídicos sobre a matéria,  que encomendou e recebeu 2 avaliações independentes a bancos de investimento e que foi ele que levou a legislação a Conselho de Ministros.

                                                     Não me lembro

  • João Talone, à altura presidente da EDP, José Penedos, presidente da REN e Vítor Baptista, administrador desta empresa, não se lembram de o acordo de cessação dos CAE ter uma clausula suspensiva que dava à EDP o direito de rejeitar os CMEC no caso de não lhe ser dada a extensão do domino hídrico. Isto, apesar de terem assinado o referido documento.
  • Manuel Lancastre, Secretário de Estado da Energia responsável pela homologação do acordo de cessação dos CAE, recorda que por esta altura os presidentes das empresas de energia estavam em “contacto permanente” com o ministro e com ele próprio  e teve uma frase lapidar na CPI para classificar o comportamento dos presidentes da EDPe da REN: “Então este tipos fizeram isto e não nos disseram nada?”

 

                        Então estes tipos fizeram isto e não nos disseram nada?

Chega? Não chega. recentemente, a imprensa reportou que Ricardo Salgado pode ter um quadro de demência com tendencia a agravar-se.

https://sicnoticias.pt/pais/2021-07-29-Ricardo-Salgado-alega-sinais-de-demencia-c423eae4

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